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terça-feira, 5 de março de 2013

Ser criança é ter avó

Ser criança é ter avó e todo mundo tem duas, certo? Bem, como eu não sou todo mundo e minha infância foi muito diferente, eu tive 8, isso mesmo, OITO AVÓS, e não tive mais, por quê achei exagero.
Hoje eu levantei da cama ainda dormindo, arrastei o chinelo até a cozinha para fazer café, e me deparei com um bolo de cenoura maravilhoso, que me trouxe lembranças de Vó.
Posso dizer que quando menina, fiz a "revolução industrial" das avós. Tinha uma que me viu nascer, essa esteve sempre ao lado da minha mãe, e freqüentava assiduamente as festas do meu colégio, sua mãe, também era a minha Vó, e foi quem me ensinou a comer tangerina pacientemente gominho por gominho, tirando toda a pele, já a mãe dela, era a Vó que fazia canjica.
Tive três gerações de avós na mesma família.
Além destas, tinha outras.
A que fazia um bolo de cenoura inesquecível, a que era casada com o meu avô, tinha uma casa com piscina e dirigia. Ah, eu adorava passear de carro com a minha Vó. A irmã dela, que tinha uma casa com flores bonitas na entrada e morava perto de uma pracinha muito legal de brincar.
Tinha também a madrinha da minha mãe, aquela que faz festa toda vez que a gente chega, fala alto e esta sempre animada. E por ultimo, mas não menos importante, tinha a mãe do meu pai, que me dava café com leite em xícaras de porcelana, o que fazia com que eu me sentisse adulta aos seis anos. E eu tomava conta dela, enquanto ela dormia ouvindo a Ave Maria no rádio. Bom, essas são as minhas avós, e é claro que além dessas eu tinha mais duas, uma que era avó dos meus irmãos e a outra que era avó da afilhada da minha mãe, mas catei todas pra mim. E não tem um dia que eu não pense nelas. Toda criança tem que ter avó. Eu tive várias e amei todas, mas as vezes sinto falta da que não tive, a mais importante. A mãe da minha mãe.

Ps: não sei se foram realmente 8, contem aí e me falem depois.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O menino e o velho

Saiam pelas ruas um menino com cara de anjinho, cabelos cacheados, calças curtas de menino e perfume de alfazema em companhia de um velho ranzinza, de cabelos aparados, barba feita, calça de brim e suspensório. Na cabeça, um boné xadrez, na boca um palito e atras da orelha um lápis.
Foram passeando, sem pressa de chegar, pararam na praça e o menino pediu um sorvete de maracujá, mais gostoso não há. Mal dera dois passos e o sorvete encontrara seu fim derradeiro no chão da praça. A criança olhou para o homem, que nada falou. Apenas balançou seu palito de dentes com a ponta da língua e foi embora. A partir daquele momento, os dois estavam sozinhos, cada um com a sua dor. Um com pena e o outro sentindo-se injustiçado, mas ambos com um buraco enorme no peito, o buraco negro da solidão. Quem me contou essa história foi um homem, que jura ter visto tudo, inclusive o momento em que aquele pequeno anjinho enxugou as lágrimas de um septuagenário.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Um menino chamado mané

Há oito anos, um menino chamado mané, começava uma redação cujo tema era: - como seria um mundo perfeito? A partir desta pergunta, ele veio me falar que o mundo seria perfeito se ninguém precisasse estudar, mas pra isso seria preciso que todos nascessem inteligentes, pois não seria legal um mundo de gente burra. Nesse lugar, ele poderia soltar pipa o dia inteiro e ainda sim seria um bom aluno. Semana passada, esse mesmo menino (o mané), questionado sobre desigualdade social respondeu que algumas pessoas podem ser ricas sim num país de pobres, pois riqueza gera conforto e se ele pudesse ser milionário, seria. Contudo querer passar de milionário a bilionário é se deixar levar pela ganância, e a ganância de poucos gera opressão aos pobres criando um caos social, a queda de empresas e governos e proliferando assim a miséria no mundo.

Vivemos numa sociedade, onde ter consciencia social é ser mané.

Ser experto é passar por cima de seu semelhante. Enganar, desviar, oprimir, ignorar a vida, a saúde e a segurança de todos em nome do lucro, como no caso da boate kiss em Santa Maria.

Que mundo os expertos pensam viver no futuro?
Num mundo em que não existirão mais manés?
Será que eles vão enganar uns aos outros?
Quem será que ganha essa disputa?

domingo, 27 de março de 2011

A mãe e o menino

-Menino! Já pra dentro! - Grita a mãe furiosa. O menino entra em casa retrucando, a mãe pensa em dar-lhe um tapa, mas corre pra cozinha ao sentir o cheiro de queimado. Sozinho, o menino senta no tapete e pensa no que poderia ter feito para a mãe ficar tão alterada.
Passados alguns minutos, não encontrando a resposta liga a tv, põe um DVD infantil e começa a pular e cantar, enquanto isso, a mãe sai da cozinha para ver o que está acontecendo e vê que seu filho está "brincando comportado", e volta aos seus afazeres domésticos intrigadacom a habilidade de uma criança de menos de 5 anos em operar aparelhos eletrônicos.
Logo esquece e continua a cozinhar. Alguns minutos depois, o almoço fica pronto e da cozinha ela grita desesperada para que o filho venha almoçar, da rua os vizinhos ouvem seus gritos, contudo, o garoto parece não se importar pois ainda esta cantando com a tv. Como não é atendida, corre até a sala carrega o menino pelo braço até a cozinha e o faz almoçar "as carreiras". Depois de tudo isso, banha o filho e o apronta para a escola. Enquanto isso chega uma vizinha que se dispõe a levar o menino para o colégio, já que tem que levar seu filho também. E ela senta na varanda para descansar pensando se um dia seu filho vai obedece-la sem dar trabalho e o menino parte tentando entender por quê a mãe brigou tanto com ele sem que tivesse feito nada.